
Dilma e Serra: imagem é tudo
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta segunda-feira que “Dilma não é líder, é reflexo de um líder”. A estocada foi uma espécie de prévia da estratégia de desconstrução de imagem a ser utilizada pela oposição na campanha eleitoral deste ano. Se por um lado o governo quer a polarização plebiscitária simbolizada na eterna disputa entre Lula e FHC, por outro a oposição tentará focar nas figuras de Dilma e Serra. Um quer olhar para o passado, o outro para o presente.
A intenção dos adversários da candidata oficial é clara: mostrar que Dilma não possui qualidades para o cargo de presidente da República. Faltaria à ministra, mais especificamente, a experiência e a liderança necessárias para o desafio, e menos explicitamente (para não torná-la vítima), a competência, materializada na lentidão do PAC.
Convenhamos, dado o currículo de José Serra ou mesmo Aécio Neves, administradores bem avaliados e políticos experientes em disputas eleitorais; e dado a falta de passado político-eleitoral de Dilma, parece ser uma estratégia adequada – o que não significa garantia de vitória. Levará a melhor quem conseguir infundir no eleitor a perspectiva que lhe interessar: o governo deseja vender a ideia de que Dilma é a certeza de continuidade; a oposição procura o inverso: demonstrar que ela é uma incógnita.
Nesse sentido, a ministra deve mostrar que é mais do que a escolhida de Lula, de modo que a imagem do presidente não a ofusque e faça de seu trunfo, uma maldição. A provocação de FHC pretende reforçar justamente essa condição subalterna da imagem de Dilma.
Palavras chave: Dilma , eleições 2010 , estratégia , FHC , imagem , Lula , Serra
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