12 de março de 2010 às 12:01

Lula e cúpula do PMDB terão reuniões semanais para discutir aliança em torno de Dilma

Está nos planos do Planalto emplacar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice

Dilma, Lula e Sarney (PMDB) / Foto: Fábio Rodrigues - Pozzebom - ABR

Dilma, Lula, Sarney (PMDB)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do PMDB acertaram reuniões semanais para negociar a aliança eleitoral em torno da pré-candidata do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Elaborada sob pretexto de resolver impasses regionais entre as duas legendas, a ideia é Lula usar esses encontros para, pouco a pouco, minar a resistência dos peemedebistas ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice na chapa presidencial. A informação é do Jornal Correio Brasiliense de hoje (12).

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Lula gostaria de ter Meirelles, recém-filiado ao PMDB, na chapa para reforçar a imagem de que não haverá mudanças na política econômica. Mais do que isso, o presidente do Banco Central — fiador do atual tripé meta de inflação, câmbio flutuante e superavit fiscal — seria a ponte da campanha com os investidores e daria o recado de que propostas heterodoxas não teriam fôlego caso Dilma fosse vitoriosa.

Aliado ao movimento pró-Meirelles há uma desconfiança de Lula com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), hoje apontado como unanimidade entre os peemedebistas para ser vice da pré-candidata petista. Oposicionista durante todo o primeiro mandato do petista, Temer é visto como um político próximo ao PSDB — leia-se: do governador de São Paulo, José Serra, provável candidato dos tucanos à Presidência da República.

Cautela
O movimento será feito com cautela. Os peemedebistas ameaçam dizendo que, se Lula tentar impor um vice, o acordo será desfeito. Por isso, a estratégia é tentar convencê-los aos poucos de que o perfil do banqueiro Meirelles é melhor do que o do promotor Temer, uma alusão às suas carreiras de origem. Significa que Lula e Dilma não terão pressa para resolver quem será o vice. Ambos trabalharão com o prazo para encontrar a “solução” em junho. “Se a Dilma continuar crescendo, o PMDB perde a capacidade de negociar e eles vão ver que não valem o tanto que imaginam”, disse um petista. “E o Lula tem a habilidade de negociar e acabar, no fim, impondo o que ele quer”, acrescentou.

Blefe
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, elogiou Meirelles como vice, mas ressaltou que a decisão é do PMDB. “Com certeza é um bom nome, mas não sei se agregaria mais ou não. É difícil dar um palpite. Quem decide é o PMDB”, afirmou o ministro, no Rio de Janeiro. O presidente do Banco Central decidiu deixar o cargo na autoridade monetária para buscar seu lugar na eleição. Ele anunciará a saída dois dias antes do prazo final da desincompatibilização (2 de abril). Na prática, seu último dia à frente da instituição será no próximo dia 22, quando entrará de licença.

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